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Produtos e Funcionalidades

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Figma alia-se à Anthropic para transformar código de IA em designs editáveis

Nova funcionalidade "Code to Canvas" liga o editor de código Claude Code ao Figma e permite transformar interfaces geradas por IA em layers totalmente editáveis.

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O que foi anunciado

A Figma lançou uma nova funcionalidade chamada "Code to Canvas" em parceria com a Anthropic, a empresa por detrás do modelo Claude. A ferramenta converte código gerado por sistemas de IA, como o Claude Code, em designs totalmente editáveis dentro da plataforma Figma.

A funcionalidade cria uma ponte direta entre ferramentas de programação assistida por IA e o espaço de trabalho visual do Figma. Em vez de reconstruir interfaces à mão, equipas podem trazer o resultado já funcional do browser para o canvas e continuar a partir daí.

Como funciona na prática

Quem estiver a trabalhar no Claude Code pode simplesmente escrever algo como “Send this to Figma” para enviar o estado renderizado da interface para o Figma. Esse estado é então traduzido em layers editáveis, mantendo a estrutura visual e permitindo alterações detalhadas.

O processo usa o Model Context Protocol (MCP) da Figma para ligar o ambiente de código ao canvas colaborativo. Assim, as equipas conseguem iterar visualmente sobre interfaces construídas com prompts, sem depender apenas do editor de código.

O que diz a liderança da Figma

O CEO da Figma, Dylan Field, descreve este tipo de fluxo como uma resposta a um mundo onde a IA facilita a construção de quase qualquer coisa que se consiga descrever. Na sua visão, o trabalho central das equipas passa a ser escolher as melhores soluções num espaço de possibilidades quase infinito.

Field argumenta que o canvas de design é melhor do que o simples ato de escrever prompts num IDE para comparar alternativas e afinar detalhes. Segundo ele, ver várias abordagens lado a lado ajuda as equipas a pensar de forma mais divergente e a tomar decisões mais informadas.

Ligação a integrações anteriores com IA

Esta não é a primeira colaboração entre Figma e Anthropic. Já em janeiro, as empresas lançaram uma integração que levou o Claude ao FigJam, permitindo gerar diagramas diretamente a partir de texto ou ficheiros.

Nessa integração anterior, os diagramas passavam de conversas para quadros colaborativos no FigJam, mantendo o foco em trabalho visual partilhado. O novo "Code to Canvas" leva a mesma lógica para interfaces mais próximas de produto final.

Contexto de mercado

O lançamento chega num momento sensível para a Figma em bolsa. As ações da empresa caíram cerca de 85% em relação ao máximo de 52 semanas de 142,92 dólares, refletindo uma correção dura depois do entusiasmo do IPO.

A Figma foi cotada em bolsa em julho de 2025, com uma estreia em que as ações subiram 250% no primeiro dia. Hoje, investidores mostram preocupação com o impacto de ferramentas de IA sobre modelos de negócio tradicionais de software, e a Figma tem de provar que continua relevante.

Resultados e expectativas financeiras

A Figma está agendada para apresentar resultados do quarto trimestre de 2025 a 18 de fevereiro. As estimativas apontam para receitas em torno de 293 milhões de dólares, com lucros esperados de 7 cêntimos por ação, segundo projeções de analistas.

Estes números são observados à lupa num setor que muitos apelidam de "SaaSpocalypse", depois de uma fase de vendas intensas que apagou perto de um bilião de dólares em valor de mercado em empresas de software. O desempenho de produtos como o "Code to Canvas" será visto como um sinal da capacidade da Figma em adaptar-se.

Implicações para o setor

A parceria Figma–Anthropic expõe uma tensão crescente no software: se a IA consegue gerar aplicações funcionais a partir de texto, qual é o papel das ferramentas de design tradicionais. A Figma defende que o design se torna ainda mais crítico quando construir deixa de ser o principal desafio.

Field insiste que o canvas de design continua essencial para navegar num mar de opções criadas por agentes de código autónomos. Em vez de substituir o design, a IA pode empurrar equipas para processos mais visuais, colaborativos e orientados a comparação rápida de alternativas.

Porque importa

  • Mostra como ferramentas de design e de código com IA começam a funcionar como um só fluxo, em vez de etapas separadas.
  • Sugere que o trabalho de design pode deslocar-se de “desenhar do zero” para “escolher e refinar entre opções geradas”.
  • Indica como empresas SaaS estão a reagir à pressão da IA com novas integrações, em vez de apenas cortar preços.
  • Dá um sinal aos investidores sobre como a Figma tenta manter relevância num mercado que questiona o papel das ferramentas clássicas de design.