IA vai acabar com o trabalho humano (Opinião)
A narrativa “a IA vai substituir empregos” é conveniente para investidores, mas há um lado menos falado: custos, infraestrutura e o paradoxo da produtividade.
Este é mais longo que o habitual. Daqueles que quando envio ao ChatGPT para rever ele diz que ninguém lê. Mas cá vai.
Nas últimas semanas voltaram as entrevistas de altos cargos de tech/IA a dizer: “a IA vai substituir empregos”, algumas com prazos muito curtos e uma certeza absoluta.
Eu não digo que o risco no mercado de trabalho não é real. Mas há um outro lado destas entrevistas:
A mensagem “vai já substituir pessoas, cortar custos e aumentar produtividade” é muito conveniente… porque é conversa que agrada a investidores.
E o outro lado (sem sequer falar de tudo) é este:
### 1) OpenAI
Há números reportados a indicar que a OpenAI pode “queimar” cerca de 17 mil milhões de dólares em 2026 (e valores muito elevados também em 2025). Isto dá 1,4 mil milhões por mês.
Com esta escala e sem receitas que acompanhem é necessário manter o hype.
### 2) Nvidia e Microsoft
Jensen Huang clarificou que “investir até 100 mil milhões” na Open AI não era compromisso, era “até esse valor” e “ver passo a passo”.
E há notícias de que a Microsoft recuou em projetos de centros de dados nos EUA e Europa por risco de capacidade a mais no curto prazo.
### 3) Elon Musk e a xAI
Tesla: $2B para a xAI. xAI: ronda de $20B. E depois a notícia de aquisição/integração com a SpaceX.
A minha leitura: é também uma forma de tornar o projeto "menos buraco financeiro", colando-o a empresas "que faturam".
### 4) Apple e Google
Anunciaram colaboração, a próxima geração de modelos base da Apple vai assentar em Gemini + cloud da Google.
Tradução simples: até quem tem margens altas e receita tem pragmatismo quando “fazer tudo de raiz” é caro e incerto.
Já a Google tem outras fontes de receitas e está a lançar produtos novos para replicar todas as startup IA que fazem sucesso e já têm receitas.
### 5) Centros de dados e infraestrutura
Na China há alertas de subutilização/capacidade ociosa.
Nos EUA, além de ajustes, há o limite físico: energia e rede.
### 6) O paradoxo da produtividade
Há sinais de que quem usa IA não está necessariamente a trabalhar menos, mas antes pelo contrário.
E nas empresas vê-se isto: investem sem estratégia/processos/formação e acabam com “texto bonito” + retrabalho. O “workslop” descreve bem esse fenómeno.
### 7) A minha opinião (de utilizador)
A IA acelera, simplifica e ajuda, mas ainda não é autónoma no trabalho real: exige validação e correções constantes. E sim, há impacto em primeiros empregos/estágios em algumas áreas, porque muitas tarefas de entrada são precisamente as que a IA já faz “bem o suficiente”.
Resumindo:
Isto é muito recente e evolui exponencialmente, por isso é difícil prever o que vem a seguir.
Há riscos reais da IA que tendem a ser ignorados pela pressa de estar “na frente”.
E a tal AGI (Inteligência Artificial Geral), a IA que aprende e resolve problemas novos, continua a ser “para o ano é que é… investe e confia.”