Estudo analisa 271 milhões de perguntas clínicas à IA
Uma investigação publicada na JAMA acompanha a utilização do OpenEvidence por mais de 952 mil profissionais nos EUA. As perguntas dos médicos centram-se sobretudo em decisões de tratamento, mas o estudo não mede os efeitos nos doentes.
Resumo
A IA já faz parte da procura de informação clínica de centenas de milhares de profissionais de saúde nos Estados Unidos. Um estudo publicado na JAMA, a 15 de outubro, analisou 271 milhões de perguntas submetidas ao OpenEvidence por 952.008 profissionais entre janeiro de 2024 e junho de 2026.
A plataforma produz respostas a perguntas clínicas com referências a artigos científicos e orientações profissionais. A equipa, com investigadores de Harvard Medical School e Brigham and Women’s Hospital, procurou perceber quem a utiliza e para quê, em vez de testar apenas a capacidade de um modelo para responder a exames médicos.
Na prática
Entre os médicos, 51,9% das perguntas classificadas relacionavam-se com decisões clínicas. Tratamento e acompanhamento representavam 33,1%; diagnóstico, 13,9%. Os restantes pedidos incluíam conhecimento clínico, consulta de evidência, tarefas administrativas e formação. Esta distribuição sugere que avaliar ferramentas médicas apenas pelo desempenho no diagnóstico deixa de fora uma parte importante do uso real.
As perguntas atravessavam frequentemente as fronteiras das especialidades. Os cirurgiões dirigiam 70% das suas perguntas a temas não cirúrgicos. Os médicos em início de carreira usavam a plataforma com maior intensidade, e os utilizadores ativos mensais passaram de 355 para 703.265 durante o período estudado.
Para classificar o conteúdo, os investigadores analisaram uma amostra de 38,8 milhões de perguntas com um modelo de linguagem e compararam uma parte das classificações com avaliações de clínicos. O método permite observar padrões em grande escala, mas a classificação também tem margem de erro.
O que falta saber
O estudo acompanha uma plataforma, num país, e não demonstra que as respostas melhoraram tratamentos, reduziram erros ou alteraram decisões. Uma pergunta sobre um doente não permite saber se a resposta foi seguida. A Harvard Medical School identifica a avaliação dos efeitos nos cuidados como o passo seguinte.
A OpenEvidence forneceu os dados desidentificados, e três coautores têm ou tiveram vínculos à empresa. O financiamento declarado inclui apoio dos institutos nacionais de saúde dos EUA. Estes elementos ajudam a interpretar a investigação e os seus limites.
Porque importa
- A adoção clínica pode ser acompanhada com dados de utilização, além de inquéritos e testes de laboratório.
- Tratamento, medicação e dúvidas fora da especialidade precisam de lugar nas avaliações de segurança e qualidade.
- O volume de utilização torna urgente estudar resultados nos doentes; não substitui essa avaliação.
