Claude esclarece origem de parâmetros criptográficos do NIST
A Anthropic publicou uma reconstrução da origem de valores usados em curvas elípticas, acompanhada de código reproduzível. A descoberta esclarece uma dúvida histórica e não representa uma quebra da criptografia.
Resumo
Uma dúvida com décadas sobre a origem de parâmetros usados em criptografia recebeu uma resposta que pode ser reproduzida por cálculo. A Anthropic divulgou, a 16 de outubro, como um modelo interno Claude identificou o processo que gerou as sementes de cinco curvas elípticas do NIST: P-192, P-224, P-256, P-384 e P-521.
Segundo a equipa, os valores vieram de um gerador pseudoaleatório comum em bibliotecas da linguagem C, inicializado com datas e horas. A origem foi identificada em menos de meia hora. O texto inclui código e resultados para permitir a reprodução, em vez de depender apenas da descrição do comportamento do modelo.
Na prática
Estas curvas são usadas em mecanismos de assinatura digital. As sementes são valores públicos que ajudam a determinar os parâmetros matemáticos; não são as chaves privadas dos utilizadores. Reconstruir a sua origem não permite assinar mensagens em nome de outra pessoa.
A questão surgiu porque os valores tinham sido fornecidos pela NSA sem uma explicação do processo de escolha. Em 2023, o criptógrafo Filippo Valsorda anunciou uma recompensa para esclarecer a origem das sementes, descrevendo as dúvidas históricas e a importância das curvas para a segurança da Web.
Claude procurou padrões compatíveis com geradores antigos e a equipa publicou uma receita que volta a produzir os valores conhecidos. Para P-256, por exemplo, o valor normalizado corresponde ao candidato 1.842 de uma sequência. A coincidência exata entre a reconstrução e os parâmetros públicos torna a hipótese testável.
O que falta saber
A investigação não reconstrói todas as decisões originais. Algumas curvas viáveis foram aparentemente ultrapassadas durante a geração, sem que se conheça o critério. A semente da curva binária B-163 e a origem de vários pontos de base também permanecem por explicar.
A Anthropic interpreta o resultado como evidência que reduz a plausibilidade de uma escolha deliberada de parâmetros enfraquecidos. Isso não constitui uma prova histórica de todas as intenções envolvidas. A empresa sublinha que não se trata de uma nova vulnerabilidade e que o resultado não exige mudanças operacionais aos utilizadores.
Porque importa
- Um resultado reproduzível permite verificar a contribuição da IA através de cálculo independente.
- Esclarecer a proveniência de parâmetros reforça a transparência dos padrões de segurança.
- Resolver um mistério sobre valores públicos é diferente de quebrar chaves ou assinaturas digitais.
