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Regulação e Sociedade

Publicado em

Harvard identifica desigualdades na formação e no uso da IA

Um relatório cruza inquéritos, navegação e notícias para analisar a participação das mulheres na IA nos EUA. O acesso a formação e apoio no trabalho surge como uma das diferenças centrais.

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Resumo

Disponibilizar ferramentas de IA não garante que todas as pessoas tenham as mesmas condições para as compreender e utilizar. Um relatório do Shorenstein Center de Harvard, publicado a 14 de outubro, identifica diferenças entre mulheres e homens no apoio recebido no trabalho, na frequência de utilização e na visibilidade como especialistas.

A investigação combina um inquérito a 5.403 adultos nos EUA, dados de navegação e a análise de 78.542 artigos jornalísticos. Esta combinação permite confrontar o que as pessoas dizem fazer com outros sinais de utilização e de presença no debate público.

Na prática

No inquérito, 29% das mulheres e 22% dos homens afirmaram nunca ter usado IA. Os dados de navegação em computador, porém, não mostraram uma diferença estatisticamente significativa na proporção que já tinha experimentado estas ferramentas. Mostraram maior intensidade de utilização entre os homens que as usavam. Experimentar uma vez e integrar uma ferramenta no quotidiano são medidas diferentes.

Entre as pessoas empregadas, as mulheres relatavam menos acesso a formação, mentoria e incentivo para usar IA. Estes apoios estavam associados a maior utilização e confiança em ambos os grupos. Para uma organização, a pergunta útil passa a ser quem recebe tempo, orientação e oportunidades para aprender, além de quem tem uma conta disponível.

A desigualdade também aparece nas fontes de autoridade: os homens eram citados como especialistas 4,3 vezes mais frequentemente. Mesmo retirando pessoas citadas sobretudo pelo cargo, as mulheres continuavam em minoria entre as vozes escolhidas pelo seu conhecimento.

Contexto

Os autores não defendem que usar mais IA ou confiar mais nela seja um objetivo por si só. Privacidade e fiabilidade das respostas surgem entre as principais preocupações dos dois grupos. O ponto é garantir condições para uma decisão informada sobre quando a tecnologia acrescenta valor.

O relatório completo e a metodologia permitem consultar as amostras e as diferenças entre indicadores. Os resultados descrevem os EUA e não devem ser transpostos automaticamente para Portugal. A associação entre apoio e utilização também não prova, isoladamente, uma relação causal.

Porque importa

  • A adoção depende de condições de aprendizagem, além do acesso às ferramentas.
  • Medir apenas contas criadas pode esconder desigualdades no uso e no apoio recebido.
  • A escolha de especialistas em notícias, eventos e formação influencia quem participa na definição da IA.