OpenAI prepara mega ronda de 100 mil milhões com aval das gigantes tecnológicas
OpenAI está perto de fechar uma ronda de financiamento superior a 100 mil milhões de dólares, que poderá valorizar a empresa acima dos 850 mil milhões, com peso forte de Amazon, Microsoft, Nvidia e SoftBank.
Resumo
OpenAI está a ultimar a primeira fase de uma ronda de financiamento que poderá ultrapassar os 100 mil milhões de dólares e avaliar a empresa em mais de 850 mil milhões. A operação é liderada por gigantes tecnológicos como Amazon, SoftBank, Nvidia e Microsoft e ocorre num momento em que a empresa planeia investimentos massivos em infraestruturas de computação.
Na prática
A nova ronda deverá fixar a valorização pré-dinheiro de OpenAI em 730 mil milhões de dólares, com a avaliação total a poder superar os 850 mil milhões à medida que o montante angariado se aproxima ou ultrapassa os 100 mil milhões. Nesta primeira tranche, entram sobretudo investidores corporativos estratégicos, incluindo Amazon, SoftBank, Nvidia e Microsoft, com a assinatura prevista para o final de fevereiro.
Nvidia pondera investir até 30 mil milhões de dólares, descritos pelo CEO Jensen Huang como potencialmente “o maior investimento que alguma vez fizemos”. A Amazon está em conversações para aplicar mais de 20 mil milhões, no âmbito de um acordo que reforça o uso dos chips e serviços de cloud da empresa por parte da OpenAI, enquanto a Microsoft, parceira de longa data com direitos exclusivos de comercialização dos modelos da OpenAI para clientes de cloud, deverá investir menos de 10 mil milhões.
Numa segunda fase, ainda por fechar, deverão entrar fundos de capital de risco, fundos soberanos e outros investidores financeiros, podendo empurrar o valor total da ronda ainda mais acima dos 100 mil milhões. Este novo financiamento surge depois de OpenAI ter concluído, no início de 2025, uma ronda de 40 mil milhões de dólares liderada pela SoftBank, que avaliou a empresa em 300 mil milhões e deu ao grupo japonês cerca de 11% do capital.
Apesar de gerar cerca de 20 mil milhões de dólares em receitas anualizadas, a OpenAI continua a não ser lucrativa e antecipa apenas chegar ao lucro em 2030. A gestão prepara-se para gastar cerca de 1,4 biliões de dólares em infraestruturas nos próximos anos, incluindo o programa Stargate, uma iniciativa de data centers avaliada em 500 mil milhões de dólares que, em parceria com Oracle e SoftBank, já soma perto de 7 gigawatts de capacidade planeada em vários estados norte-americanos.
Contexto
A dimensão desta nova ronda testa o apetite dos investidores por inteligência artificial numa fase em que os custos de computação e de infraestruturas disparam. A OpenAI disputa o topo do mercado com rivais como a Alphabet e a Anthropic, num ambiente em que o acesso a capital barato e a capacidade de escalar data centers podem definir vencedores.
A ronda de 40 mil milhões de dólares de 2025 já tinha sido a maior de sempre no setor tecnológico privado e abriu caminho à entrada mais forte da SoftBank no capital da OpenAI. Desde então, Sam Altman tem cortejado investidores em várias geografias, incluindo fundos soberanos no Médio Oriente, numa estratégia que poderá culminar numa oferta pública inicial entre 2026 e 2027, com alguns cenários a apontarem para uma avaliação eventual de 1 bilião de dólares.
Porque importa
- Mostra até que ponto as grandes tecnológicas estão dispostas a investir para ganhar vantagem na corrida da IA.
- Sugere que os modelos de IA de próxima geração vão exigir infraestruturas energéticas e de computação de escala inédita.
- Confirma que, mesmo com receitas elevadas, os líderes de IA precisam de capital externo para financiar ambições de longo prazo.
- Pode influenciar a forma como reguladores e concorrentes olham para a concentração de poder em torno de poucos grandes fornecedores de IA.