OpenAI encerra a aplicação de vídeo Sora após polémica com deepfakes e AI slop
A OpenAI vai fechar a aplicação autónoma Sora, lançada em setembro de 2025, depois de críticas crescentes sobre deepfakes, imagens não consensuais e proliferação de conteúdo de IA de baixa qualidade.
Resumo
A OpenAI anunciou esta terça-feira, 25 de março de 2026, o encerramento da sua aplicação de geração de vídeo para redes sociais, a Sora. A plataforma, que se tornou viral após o seu lançamento como aplicação autónoma em setembro de 2025, permitia criar e partilhar vídeos curtos gerados por inteligência artificial, mas também gerou fortes preocupações em Hollywood e noutros setores sobre os riscos de abuso.
Numa publicação nas redes sociais, a empresa afirmou estar a "despedir-se da aplicação Sora" e prometeu divulgar brevemente mais detalhes sobre a forma como os utilizadores poderão preservar o conteúdo criado na plataforma. Segundo a OpenAI, "o que criaram com a Sora foi importante" e a empresa reconhece que a notícia do encerramento é "dececionante" para os seus utilizadores.
As capacidades de geração de imagens do ChatGPT não são afetadas pelo encerramento, garantiu a empresa.
Na pratica
Desde o seu lançamento no final de 2024, a Sora tornou-se num espaço de experimentação popular na internet: utilizadores exploraram a ferramenta para produzir vídeos surreais e muitas vezes absurdos, usando a imagem de figuras públicas reais. Exemplos mencionados na notícia incluem vídeos de Michael Jackson a roubar baldes de frango do KFC ou de Stephen Hawking a andar de skate numa rampa.
A OpenAI posicionou a Sora como uma aplicação autónoma em setembro de 2025, numa estratégia para competir com plataformas de vídeo curto como o TikTok, o YouTube Shorts, o Instagram Reels e o Facebook, detidos pela Meta, apostando tanto na captação de utilizadores como em potenciais receitas de publicidade.
No entanto, o crescimento da plataforma foi acompanhado por críticas crescentes: organizações de defesa de direitos, académicos e especialistas manifestaram preocupação com a facilidade com que qualquer utilizador pode gerar vídeos sobre praticamente qualquer assunto. Esta abertura levou à proliferação de imagens não consensuais, de deepfakes realistas e de um volume considerável de "AI slop" — conteúdo de IA de baixa qualidade e sem valor informativo ou criativo.
Perante as críticas, a OpenAI chegou a restringir a geração de conteúdos com figuras públicas específicas, incluindo Michael Jackson, Martin Luther King Jr. e Mister Rogers — mas apenas depois de pressão dos herdeiros dessas personalidades e de um sindicato de atores.
O que falta saber
O encerramento da Sora surge num momento particularmente inoportuno: apenas três meses depois de a OpenAI e a The Walt Disney Company terem assinado um acordo de três anos que permitia aos utilizadores da Sora criar vídeos com mais de 200 personagens licenciadas da Disney, incluindo figuras da Marvel, da Pixar e de Star Wars.
A Disney reagiu ao encerramento em comunicado, afirmando respeitar "a decisão da OpenAI de sair do negócio da geração de vídeo e de direcionar as suas prioridades para outras áreas". A empresa acrescentou que "agradece a colaboração construtiva entre as equipas" e que continuará a trabalhar com plataformas de IA para encontrar novas formas de chegar aos fãs, "adotando de forma responsável novas tecnologias que respeitem a propriedade intelectual e os direitos dos criadores".
A OpenAI não especificou, segundo a notícia, quais as "outras áreas" para as quais irá direcionar as suas prioridades, nem os detalhes concretos sobre o que acontecerá ao conteúdo criado pelos utilizadores da plataforma.
Porque importa
- A Sora foi um dos produtos de IA generativa mais visíveis de 2025, e o seu encerramento abrupto ilustra os limites das plataformas de geração de vídeo aberta face à pressão social e regulatória.
- A proliferação de deepfakes e de conteúdo não consensual em plataformas de IA continua a ser um dos principais desafios éticos e legais do setor.
- O episódio levanta questões sobre a sustentabilidade de modelos de negócio baseados em geração de vídeo aberta, especialmente quando dependem de acordos comerciais de grande escala como o firmado com a Disney.
- Para os utilizadores que criaram conteúdo na plataforma, o encerramento coloca em aberto a questão da preservação e propriedade desse conteúdo.