Microsoft lança Copilot Cowork com tecnologia Anthropic e novo pacote E7 para agentes de IA empresarial
A Microsoft anunciou o Copilot Cowork, construído em colaboração com a Anthropic sobre o Claude Cowork, e o pacote Microsoft 365 E7, numa aposta clara em agentes autónomos para empresas.
Resumo
A Microsoft anunciou a "Vaga 3 do Microsoft 365 Copilot", um conjunto de novos produtos e funcionalidades orientados para agentes de IA em ambiente empresarial. O anúncio centra-se em três elementos principais: o Copilot Cowork, construído em colaboração direta com a Anthropic sobre a tecnologia Claude Cowork; o Agent 365, uma plataforma de orquestração e governação de agentes; e o novo pacote Microsoft 365 E7 Frontier Worker Suite.
A iniciativa surge num contexto de pressão competitiva crescente — de empresas como a Salesforce, da OpenAI e da própria Anthropic, investida estratégica da Microsoft — e de preocupação dos investidores com o impacto dos agentes de IA nas receitas de software SaaS tradicional. As ações da Microsoft caíram mais de 14% desde que a Anthropic lançou o Claude Cowork em meados de janeiro.
Na pratica
O Copilot Cowork é a peça central do anúncio. Trata-se de uma funcionalidade desenhada para executar tarefas longas e com múltiplos passos de forma autónoma — por exemplo, preparar uma reunião com um cliente através de um único pedido, o que pode incluir montar uma apresentação, reunir dados financeiros, enviar e-mails à equipa e agendar tempo de preparação.
Segundo Jared Spataro, CMO de AI at Work da Microsoft, o Copilot Cowork usa o modelo Claude da Anthropic para raciocínio e o mesmo "agentic harness" — o sistema que permite ao modelo usar outras ferramentas de software e os mecanismos de controlo associados — que o Claude Cowork da Anthropic. A diferença-chave está na implementação: o Copilot Cowork corre na cloud, dentro do tenant Microsoft 365 do cliente, o que o coloca sob a proteção de dados empresariais da Microsoft e integra-o com o chamado "Work IQ" — uma camada de inteligência alimentada por e-mails, ficheiros, documentos, reuniões e chats do utilizador.
O Claude Cowork da Anthropic, por contraste, corre localmente no dispositivo do utilizador. Spataro descreveu a oferta da Anthropic como "uma ferramenta fantástica" mas com "limitações" em contexto empresarial, nomeadamente a falta de acesso a dados empresariais na cloud e preocupações de segurança em implementações de grande escala.
O Copilot Cowork está atualmente em piloto com clientes selecionados e ficará disponível como research preview em março, através do novo pacote Frontier Worker.
O Agent 365 — a plataforma de controlo e orquestração de agentes de IA — estará disponível de forma geral a partir de 1 de maio, ao preço de 15 dólares por utilizador por mês. A Microsoft revelou que, em apenas dois meses de preview, dezenas de milhões de agentes já apareceram no registo do Agent 365, e que internamente a empresa tem visibilidade sobre mais de 500 000 agentes, com utilização concentrada em investigação, código, inteligência de vendas, triagem de clientes e self-service de RH. Spataro sublinhou que a mesma infraestrutura usada para gerir colaboradores humanos — ferramentas como Entra, Defender, Purview e Intune — está agora a ser estendida para gerir agentes de IA.
O Microsoft 365 E7 Frontier Worker Suite, também disponível a partir de 1 de maio, tem um preço de 99 dólares por utilizador por mês. O pacote combina o Microsoft 365 E5 (60 dólares), a Entra Suite (12 dólares), o Copilot (30 dólares) e o Agent 365 (15 dólares) — componentes que custariam 117 dólares se comprados separativamente.
A Microsoft anunciou também que o modelo Claude da Anthropic está agora disponível em toda a experiência Copilot Chat, e não apenas nas funcionalidades Researcher e Excel onde era anteriormente oferecido.
Contexto
A relação da Microsoft com a Anthropic é simultaneamente estratégica e competitiva: a Microsoft é investidora na Anthropic, mas a empresa de Dario Amodei compete diretamente pelo mesmo base de clientes empresariais. O mesmo se aplica à OpenAI, parceira histórica da Microsoft. Spataro resumiu a postura da Microsoft face à proliferação de modelos: "A cada 60 dias pelo menos há um novo rei da colina. Há muita procura por uma plataforma que não te obrigue a saltar para o próximo fornecedor."
No que toca ao modelo de preços, vários analistas têm especulado que os agentes de IA vão forçar as empresas de software a abandonar a faturação por utilizador em favor de modelos baseados em consumo. A Microsoft está, por enquanto, a manter o modelo por utilizador: segundo Spataro, "os clientes querem por utilizador neste momento. Não quer dizer que sempre queiram, mas é o que querem agora."
Os números apresentados pela empresa apontam para um crescimento expressivo: os lugares pagos do Copilot cresceram mais de 160% em termos anuais, o uso diário ativo multiplicou-se por dez, e o número de clientes com mais de 35 000 lugares triplicou. 90% das Fortune 500 usam agora o Copilot, e 80% usam agentes de IA da Microsoft de alguma forma.
Porque importa
- O Copilot Cowork representa uma mudança declarada da Microsoft: de assistência para "fazer de verdade", com agentes autónomos integrados no ecossistema empresarial existente.
- A integração do Claude da Anthropic em toda a experiência Copilot Chat reforça a aposta da Microsoft numa abordagem multi-modelo, distanciando-se da dependência exclusiva da OpenAI.
- O Agent 365 introduz infraestrutura de governação para agentes de IA — com segurança, monitorização e gestão — num mercado que ainda não tem standards consolidados.
- O E7 a 99 dólares sinaliza como a Microsoft pretende capturar valor da era dos agentes: não canibalizando o SaaS existente, mas empacotando-o com novas capacidades agenticas.