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Google e Apple estreiam música com IA: criação vs. curadoria

Google lança no Gemini o modelo Lyria 3 para gerar músicas originais, enquanto a Apple aposta em listas de reprodução inteligentes no Apple Music com o novo Playlist Playground.

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Resumo

Google e Apple lançaram quase em simultâneo novas funcionalidades de música com IA, mas seguem caminhos diferentes. Enquanto o Gemini com Lyria 3 cria faixas originais, o Apple Music usa IA para montar playlists a partir de músicas já existentes.

Na prática

No lado da Google, o app Gemini passa a gerar faixas de 30 segundos com o modelo Lyria 3, a partir de descrições de género, ambiente ou significado pessoal, e até de fotos e vídeos. A ferramenta cria letras, controla estilo, voz e tempo, e marca o áudio com watermarks SynthID, podendo ainda verificar se um ficheiro foi gerado pela IA da empresa.

A Google sublinha que o Lyria 3 é pensado para expressão original e não para imitar artistas específicos, mesmo quando o utilizador menciona um nome. A funcionalidade está disponível primeiro em computador para maiores de 18 anos e começa também a chegar ao Dream Track do YouTube para criar bandas sonoras para Shorts.

Já a Apple introduziu o Playlist Playground na primeira beta do iOS 26.4, dentro do Apple Music. O utilizador escreve um prompt sobre estados de espírito, géneros ou temas — como “morning coffee music” ou “disco songs that defined the 1970s” — e recebe uma playlist de cerca de 25 músicas, que pode depois ajustar.

As listas geradas podem ser refinadas com novos prompts e editadas manualmente, incluindo adicionar ou remover faixas, alterar a ordem, capa e descrição. A Apple avisa que o Playlist Playground pode gerar resultados inesperados e depende de modelos de Apple Intelligence que são descarregados em segundo plano antes de ficar disponível.

Quem ganha / quem perde

O Lyria 3 aproxima o Gemini de ferramentas independentes de geração de música com IA, ao oferecer criação rápida de faixas originais dentro de um assistente já usado para texto, imagens e vídeo. Para criadores e utilizadores casuais, isto abre uma nova forma de experimentar música sem competências técnicas ou instrumentos.

A Apple, pelo contrário, reforça o Apple Music como serviço de descoberta e organização, usando IA para melhorar o que já existe em vez de substituir o catálogo. Isto pode agradar a editoras e artistas que estão mais confortáveis com curadoria automatizada do que com canções totalmente sintéticas a competir diretamente com o seu trabalho.

Ao mesmo tempo, o mercado de música com IA está a aquecer com plataformas como Suno e Udio, grandes editoras a passarem de processos judiciais para acordos de licenciamento e gigantes como Microsoft e TikTok a lançarem também funções do género. A entrada de Google e Apple torna estas experiências mais acessíveis ao grande público, mas também aumenta a pressão regulatória e comercial sobre como estas tecnologias usam e impactam a música existente.

Porque importa

  • Mostra duas visões opostas para música com IA: criação de raiz versus curadoria inteligente de catálogos existentes.
  • Integra experiências de música com IA diretamente em apps massivas como Gemini, YouTube Shorts e Apple Music.
  • Sinaliza que grandes editoras estão a passar de processos judiciais para modelos de licenciamento em torno de música gerada por IA.
  • Aumenta o debate sobre direitos de autor, remuneração de artistas e papel da IA na criatividade musical.