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Opinião

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Fable 5 "He Who Must Not Be Named"

O caso Fable 5 mostra que a discussão sobre IA já não é apenas sobre capacidade técnica. É também sobre acesso, poder político, custos e dependência empresarial.

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Fable 5, o modelo que chegou depois de Mythos, tornou visível uma questão que a indústria da IA tem evitado tratar de frente: quem pode desligar o acesso, com que justificação e para quem.

O novo modelo Mythos, da Anthropic, foi anunciado pela própria empresa como o mais avançado de sempre. Capaz do inimaginável e, precisamente por isso, demasiado sensível para ser lançado de imediato ao público em geral.

O hype foi o habitual. Já vimos isto antes na IA. A OpenAI fez declarações parecidas há uns anos, no lançamento de um modelo que hoje nos parece quase banal.

Mas, desta vez, parece que o salto foi real. Mythos foi primeiro disponibilizado apenas a clientes específicos, para que pudessem preparar a segurança dos seus sistemas antes de um lançamento mais amplo.

Algumas semanas depois, chegou ao público com outro nome: Fable 5. Mas chegou com muitas restrições, sobretudo em áreas como cibersegurança, biologia, química, saúde e desenvolvimento avançado de IA. As limitações eram tão apertadas que o modelo recusava responder a pesquisas que incluíssem a palavra "cancro".

Quem o usou, incluindo pessoas de podcasts e canais de YouTube que sigo e costumo considerar credíveis, conseguiu resultados fora do normal: réplicas de software conhecido com um só prompt, jogos 3D, problemas matemáticos avançados.

O pouco tempo que tive com o modelo usei-o apenas para melhorar software que já tinha feito. Não foi tempo suficiente para formar uma opinião técnica séria.

Depois veio o ponto de viragem.

O governo norte-americano disse ter recebido informação de que alguém tinha conseguido contornar as restrições, ler código-fonte e corrigir falhas nesse código. A Anthropic respondeu que o caso reportado era muito limitado e que qualquer outro modelo disponível no mercado conseguiria fazer o mesmo.

Mas a relação entre o governo dos EUA e a Anthropic já vinha tensa desde que a empresa se recusou a cumprir certas exigências do "ministério da guerra".

A justificação não convenceu o governo norte-americano. A situação foi tratada como uma questão de "segurança nacional" e resultou numa directiva de controlo de exportação: suspensão imediata de todo o acesso aos modelos Fable 5 e Mythos por parte de qualquer cidadão estrangeiro, estivesse dentro ou fora dos Estados Unidos.

E estamos aqui: um governo, neste caso o americano, o que torna o caso menos expectável, pode simplesmente "desligar a IA".

Isto tem implicações directas no desenvolvimento de IA, na confiança das empresas que já dependem destes sistemas, na investigação científica em curso e na própria ideia de infraestrutura tecnológica global.

Sou a favor da regulação da IA. Prefiro controlo a uma corrida desenfreada em que cada big tech faz o que quer, como quer, dentro da moral, se lhe quisermos chamar isso, dos seus CEO.

Mas decisões que parecem vingativas, arbitrárias ou politicamente motivadas não me parecem ser o caminho.

Há outro ponto importante: o preço. O Fable 5 custa 10 dólares por cada milhão de tokens enviados e 50 dólares por cada milhão de tokens recebidos. Para comparação, o DeepSeek custa 0,14 e 0,55 dólares.

Também daqui se conclui que a IA mais avançada já não será realmente para "todos".

Fable 5 não foi apenas um novo modelo. Foi a entrada numa fase em que a IA deixa de ser apenas sobre capacidade e passa a ser sobre quem controla o acesso, quem define o risco, quem paga a conta e quem fica de fora quando alguém decide carregar no botão.