Estudantes recusam a IA generativa como objectores de consciência
Num trabalho universitário que exigia o uso de IA generativa, sete em cada oito grupos de alunos escolheram não a usar, por razões que vão da dependência cognitiva ao impacto ambiental e aos vieses. Duas professoras de filosofia defendem que há uma geração de objectores de consciência à IA que o ensino superior não deve ignorar.
Resumo
Duas professoras de filosofia — Jenny, que rejeita a IA generativa, e Carla, que a usa de forma moderada — relatam, numa peça de opinião no Inside Higher Ed, um caso numa cadeira de Carla: um trabalho de grupo que exigia usar IA generativa e reflectir criticamente sobre ela. A primeira pergunta dos alunos foi "e se não quisermos usar IA?". Perante a resistência, Carla criou uma via de "objector de consciência". Sete dos oito grupos optaram por não usar IA; o oitavo experimentou, mas preferiu trabalhar sem ela. As autoras defendem que o ensino superior devia reconhecer a existência destes alunos e, quando possível, fazer-lhe lugar.
Na prática
Os alunos não recusaram a IA por desconhecimento. Leram e discutiram IA generativa antes de decidir e, nas reflexões, apontaram dependência cognitiva, impacto ambiental, viés racial e de género, desinformação, integridade académica e exploração de trabalhadores. Disseram querer debater ideias entre si, lidar com leituras difíceis e fazer o trabalho — incluindo o trabalho maçador — em vez de o terceirizar para um modelo.
As autoras argumentam que a narrativa de que "todos os alunos usam IA agora" está errada e que os educadores deviam ouvir estes estudantes em vez de os tratar como mentirosos. A peça cita sondagens sem identificar a fonte primária: 61% de jovens americanos com menos de 30 anos preocupados que a IA piore o pensamento criativo; 58% preocupados com a capacidade de formar relações; e 31% da Geração Z a reportar "raiva" sobre IA, contra 22% no ano anterior. Cita ainda um estudo, também sem fonte no texto, segundo o qual 95% das empresas teriam retorno zero dos investimentos em IA.
O que falta saber
- Os números citados (61%, 58%, 31%, 95%) aparecem na peça sem identificar as sondagens ou estudos de origem nem a metodologia — não são verificáveis a partir do texto.
- O caso é de uma única cadeira, numa universidade não identificada; é um relato, não um estudo sistemático sobre objecção de consciência à IA.
- As autoras defendem a liberdade académica e não propõem obrigar ninguém a aceitar objecções: o argumento é de consciencialização, não de imposição.
Porque importa
- Contraria a narrativa de adopção universal da IA pelos jovens: existe resistência informada e baseada em razões morais e cognitivas.
- Dá nome a um conceito — "objector de consciência" à IA — que pode moldar o debate sobre avaliação e autonomia estudantil no ensino superior.
- Revaloriza competências humanas (leitura cuidada, pensamento crítico, argumentação) como mais, e não menos, relevantes numa era de alucinações e de respostas persuasivas mas erradas.
- Limite: é uma peça de opinião, e os números que sustentam o argumento não trazem fonte primária identificada.
