Gigantes chineses lançam modelos de IA abertos antes do Ano Novo Lunar
Alibaba e Ant Group lançaram novos modelos de IA abertos focados em eficiência, raciocínio matemático e agentes, reforçando a estratégia open source da China em IA.
O que aconteceu
Alibaba e Ant Group anunciaram uma nova vaga de modelos de inteligência artificial de código aberto nas vésperas do Ano Novo Lunar. As empresas chinesas querem competir diretamente com os grandes nomes norte‑americanos, apostando em eficiência, raciocínio avançado e abertura do código.
Qwen3.5, da Alibaba, foi lançado a 16 de fevereiro, enquanto a Ant Group apresentou os modelos Ling-2.5-1T e Ring-2.5-1T a 15 de fevereiro. As datas coincidem com o primeiro aniversário do avanço da DeepSeek, que abalou a ideia de que modelos de topo só são possíveis com orçamentos gigantescos [Não verificado].
Qwen3.5: eficiência e agentes
Qwen3.5 é um modelo com 397 mil milhões de parâmetros que, graças a uma arquitetura “mixture-of-experts” esparsa, ativa apenas 17 mil milhões em cada passagem. Segundo a Alibaba, esta abordagem torna o modelo cerca de 60% mais barato de operar e até oito vezes mais eficiente em cargas de trabalho pesadas do que a geração anterior.
O modelo suporta agora 201 idiomas, um salto significativo face à geração anterior, e integra aquilo que a empresa descreve como capacidades de “agente visual”, conseguindo executar tarefas autonomamente em aplicações móveis e de desktop. A Alibaba posiciona o Qwen3.5 como uma base para a era da IA agente, ajudando programadores e empresas a fazer mais com os mesmos recursos de computação.
Em testes internos, a Alibaba comparou o Qwen3.5 com modelos como GPT-5.2, Claude 4.5 Opus e Gemini 3 Pro em mais de 30 benchmarks. A empresa afirma que o modelo superou os rivais no IFBench, que avalia a capacidade de seguir instruções, embora uma validação independente destes resultados ainda esteja em curso.
Ling-2.5-1T e Ring-2.5-1T: foco no raciocínio
A Ant Group apresentou o Ling-2.5-1T como o seu mais recente modelo de linguagem com um bilião de parâmetros, desenhado para maior eficiência de raciocínio e com suporte para janelas de contexto até um milhão de tokens. No benchmark AIME 2026, o modelo igualou o desempenho de modelos de raciocínio de topo, usando cerca de 5 890 tokens, contra os 15 000 a 23 000 tokens normalmente necessários.
O Ring-2.5-1T é descrito como o primeiro modelo de “raciocínio” com arquitetura linear híbrida, pensado para tarefas de raciocínio avançado. Em competições de matemática, obteve resultados de nível ouro, incluindo 35 pontos em 42 possíveis na Olimpíada Internacional de Matemática 2025 e 105 em 126 na Olimpíada de Matemática da China 2025, ultrapassando o corte da equipa nacional.
Ambos os modelos são disponibilizados sob licenças abertas em plataformas como Hugging Face e ModelScope, permitindo que empresas e programadores testem e adaptem as capacidades a casos de uso específicos.
Estratégia open source chinesa em alta
As novas versões reforçam uma tendência mais ampla na indústria de IA chinesa em direção ao open source. Na plataforma Hugging Face, a família Qwen da Alibaba ultrapassou os modelos Llama, da Meta, em número total de transferências, segundo o MIT Technology Review.
Em abril de 2025, modelos derivados de Qwen representavam mais de 40% dos novos derivados de linguagem na plataforma, enquanto a fatia de Llama caía para cerca de 15%. Um editorial do Global Times destacou que empresas chinesas estão a reduzir barreiras para que programadores e negócios em todo o mundo acedam a tecnologias avançadas de IA.
A pressão competitiva sente‑se também no Vale do Silício: de acordo com o investidor Martin Casado, cerca de 80% das startups que usam pilhas open source trabalham hoje com modelos chineses abertos. Para muitas equipas, estes modelos tornaram‑se a base padrão para experimentar novas aplicações de IA.
Porque importa
- Modelos abertos mais eficientes podem reduzir custos e facilitar a adoção de IA em empresas sem grandes orçamentos.
- O foco em raciocínio matemático e janelas de contexto gigantes abre espaço para aplicações em finanças, engenharia e investigação científica.
- A ascensão de Qwen e dos modelos da Ant Group reforça o papel da China como potência central no ecossistema de IA open source.
- Para utilizadores e equipas técnicas, aumenta o leque de alternativas a modelos proprietários, com mais escolha em termos de licenças e controlo de dados.