Amália torna-se o primeiro LLM aberto em português europeu
Portugal lançou o Amália, um modelo de linguagem aberto criado para português europeu. O objetivo é dar ao Estado, às empresas e à investigação uma base tecnológica que possam adaptar e auditar.
Resumo
Portugal apresentou o Amália, o primeiro grande modelo de linguagem aberto desenvolvido especificamente para português europeu. Em vez de funcionar como um novo chatbot para o público, foi concebido como uma base tecnológica sobre a qual o Estado, empresas, universidades e centros de investigação podem criar aplicações próprias.
O projeto reúne mais de 60 investigadores portugueses. O desenvolvimento inicial recebeu 5,5 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência, e está prevista uma verba adicional de 1,5 milhões até 2027 para continuar a desenvolver o modelo e a infraestrutura associada.
Na prática
O Amália tem 9 mil milhões de parâmetros e foi treinado e ajustado com dados orientados para a língua e o contexto portugueses, incluindo 5,8 mil milhões de tokens do Arquivo.pt. O modelo, os dados e o código são disponibilizados de forma aberta, o que permite estudar o seu funcionamento, adaptá-lo a áreas específicas e executá-lo em infraestrutura própria.
Esta abertura é relevante para serviços públicos, educação, ciência e empresas que lidam com informação sensível ou precisam de maior controlo sobre os sistemas que utilizam. Também cria uma alternativa para tarefas em que modelos generalistas tendem a responder em português do Brasil, mesmo quando recebem instruções para usar português europeu.
O que falta saber
Os resultados publicados pela equipa indicam um desempenho forte em testes de língua e cultura portuguesas quando comparado com outros modelos totalmente abertos de dimensão semelhante. Ainda assim, parte da avaliação recorreu a outros modelos de IA como juízes automáticos, e o desempenho em aplicações reais dependerá da implementação, dos dados usados e da supervisão humana.
O lançamento abre o acesso à tecnologia, mas não resolve por si só questões como custos de operação, atualização contínua, segurança ou qualidade em contextos especializados. Esses serão os testes decisivos à utilidade prática do Amália.
Porque importa
- Dá ao português europeu uma presença própria num ecossistema dominado por línguas e variantes com mais dados.
- Permite auditar, adaptar e alojar o modelo sem depender apenas de plataformas comerciais fechadas.
- Cria uma base comum para aplicações públicas, académicas e empresariais desenvolvidas em Portugal.
- O valor do projeto será medido pelos serviços construídos sobre o modelo, não apenas pelos resultados de laboratório.