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Negócios e Mercado

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Agentes de IA exigem redesenhar processos e preparar pessoas

Um estudo da Deloitte indica que a adoção de agentes de IA está a avançar mais depressa do que a preparação das organizações. O maior desafio não é apenas instalar tecnologia, mas redesenhar processos, formar equipas e definir quando a decisão continua a pertencer a uma pessoa.

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Resumo

A adoção de agentes de IA está a passar da experimentação para a expansão, mas muitas organizações ainda não estão preparadas para mudar a forma como o trabalho é feito. Esta é a principal conclusão de um estudo da Deloitte baseado num inquérito a 501 líderes nos Estados Unidos e em entrevistas a 20 executivos e responsáveis de IA e dados.

Segundo os dados recolhidos, 43% das organizações estão a expandir agentes por várias funções e 15% já chegaram a sistemas multiagente orquestrados em vários fluxos de trabalho. A maioria, no entanto, continua a aplicar agentes sobre processos existentes, em vez de os redesenhar de raiz.

Na prática

A Deloitte identifica três obstáculos principais à escala: uma base de dados unificada e acessível insuficiente, referida por 72% dos líderes; dificuldades em confiar e governar os agentes, apontadas por 70%; e o custo e a complexidade da integração, mencionados por 67%. Menos de metade dos inquiridos considera a sua organização preparada para a adoção de agentes de IA na maioria das áreas analisadas.

Os processos são uma das maiores fragilidades: apenas 16% dizem estar preparados e 5% altamente preparados para a adoção de agentes. Por isso, muitas empresas começam por uma abordagem de “camada”, acrescentando agentes a processos existentes para obter ganhos mais rápidos. A Deloitte considera essa abordagem útil como ponte, mas insuficiente se não evoluir para o redesenho de fluxos completos e coordenação entre funções.

Contexto

O estudo aponta também para uma mudança significativa no trabalho. Quase metade dos líderes espera muita ou extrema alteração nas funções nos próximos 12 a 18 meses; essa proporção sobe para 72% quando o horizonte é de dois a três anos. As tarefas rotineiras e estruturadas são as candidatas mais óbvias à autonomia, enquanto as funções criativas, estratégicas e de maior julgamento deverão continuar a exigir supervisão humana.

A preparação das equipas ainda não acompanha essa expectativa. Embora 71% das organizações estejam a trabalhar competências básicas de IA e 65% estejam a desenvolver ações de requalificação para funções afetadas, metade dos líderes considera insuficiente o investimento na transformação da força de trabalho. O inquérito foi realizado entre abril e junho de 2026, apenas junto de organizações norte-americanas que já estavam a testar soluções baseadas em agentes de IA, pelo que os resultados não representam necessariamente todas as empresas ou outros mercados.

A recomendação da Deloitte assenta em quatro frentes: criar um roteiro integrado ligado a resultados de negócio, usar a aplicação incremental como ponte para o redesenho, reservar tempo e ambientes de experimentação para as equipas e definir um modelo operacional humano-agente. Esse modelo deve esclarecer que tarefas podem ser delegadas, quem valida os resultados, quando é obrigatória a intervenção humana e quem responde pelas decisões.

Porque importa

  • A escala dos agentes depende tanto da qualidade dos processos, dados e regras de governação como da capacidade dos modelos.
  • Acrescentar agentes a processos frágeis pode acelerar uma operação sem corrigir a sua estrutura nem clarificar responsabilidades.
  • A formação terá de passar do conhecimento geral de IA para a supervisão, validação, orquestração e capacidade de contestar resultados.
  • Os números indicam uma tendência entre líderes que já estão a testar agentes, não uma previsão independente nem uma medição universal do mercado.