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Notas · IA explicada sem complicar

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Perspetiva

Publicado em

Por Joaquim Mira

A adoção de IA não é só distribuir licenças

Comprar ferramentas de IA cria acesso, mas não muda o trabalho por si só. O valor aparece quando se identificam problemas concretos, se redesenham processos e se preparam as pessoas para os usar com critério.

  • ferramentas
  • automação
  • produtividade
  • dados
Duas pessoas sentadas frente a frente, cada uma com um portátil, sobre fundo creme.

As empresas estão a investir cada vez mais em IA.
Talvez estejam a investir demasiado na tecnologia e pouco no que é necessário para ela produzir resultados.

Um inquérito da KPMG nos Estados Unidos mostra um desequilíbrio interessante: os executivos têm quase o dobro da probabilidade de aumentar o investimento em nova tecnologia do que de investir na formação dos trabalhadores.

Isso ajuda a explicar um paradoxo cada vez mais visível.

As empresas compram ChatGPT, Copilot, agentes e outras ferramentas de IA.

Depois, grande parte das pessoas continua a usá-las para:

• resumir reuniões
• melhorar emails
• criar apresentações
• pesquisar informação
• perguntar o que presente devem comprar para o amigo secreto

Tudo útil. Mas muito longe do potencial da IA.

Há ainda outro risco: quando a IA é introduzida só por moda, ou sem um problema concreto para resolver, a empresa pode não ver impacto relevante e concluir que não funciona.

Não defendo que todos os processos beneficiem com IA. Mas não se pode tirar essa conclusão quando o que se avaliou foi apenas a disponibilização de uma ferramenta, sem objectivos concretos.

Adoptar IA não é simplesmente disponibilizar uma ferramenta.

Há perguntas anteriores:

Onde é que a IA pode realmente criar valor nesta empresa?

Que processos ou tarefas podem ser redesenhados, automatizados ou simplesmente eliminados?

E que solução faz sentido em cada caso: uma ferramenta que já existe, uma automação ou uma pequena aplicação feita à medida?

A adopção de IA deixa aqui de ser só um problema tecnológico. Passa a ser também um problema de organização e desenho do trabalho.

A formação entra como parte da solução, não como uma sessão isolada.

Não deve servir apenas para ensinar prompts ou mostrar ferramentas.

Deve ajudar as pessoas a perceber:

• que tarefas podem delegar na IA
• como melhorar fluxos de trabalho
• quando faz sentido automatizar
• como construir pequenas ferramentas, análises ou dashboards
• como validar aquilo que a IA produz

A sequência não pode ser:

comprar tecnologia → distribuir licenças → esperar produtividade

Tem de ser mais parecida com isto:

identificar oportunidades → redesenhar o trabalho → preparar as pessoas → medir resultados → melhorar

Não é preciso começar pela empresa toda ao mesmo tempo.
Faz mais sentido começar por departamentos com trabalho repetitivo, onde os resultados são mais fáceis de medir.
Não porque o resto não importe. Mas porque assim é mais simples perceber o que funcionou, corrigir o que falhou e só depois alargar.

Perguntam-me muitas vezes: "Qual é a melhor IA? O que devo comprar para a minha empresa?"

E eu dou sempre aquela resposta chata que não responde a nada: "depende".

Depende do problema que querem resolver e da mudança que estão dispostos a fazer no trabalho.

Estudo da KPMG